Dia desses minha mãe me ligou preocupada pelas mensagens que deixei de mandar, porque ando meio cansada-tristonha e me fechei na minha concha mais uma vez. No fundo ela sabe, como mães sempre sabem, quando Cansaçoalgo não está certo e sente que algo me dói mesmo estando a um oceano de distância. Ela também sabe quantas vezes nesse último ano eu quis fazer a distância caber no meu bolso, pra que eu pudesse ter colo e ser colo também.
Minha mãe sentiu meu silêncio, minha falta de tolices e o excesso de suspiros de cansaço. Ela sabe que nos últimos tempos a vida só tem sido pesada e cansativa demais pros nossos, então tenta me fazer dividir a bagagem pra que eu não tenha que doer minha parte toda sozinha. Doer dentro de um abraço sempre faz doer um pouco menos. Foi o que me ensinaram.
A verdade é que ainda me doem coisas sem nome, me dói a fadiga das coisas cotidianas, às vezes voltam a doer lutos antigos e reabrem feridas aparentemente cicatrizadas. Ando exausta com todas essas coisas que eu carrego em mim, com tudo que fica por fazer quando deixo os pratos caírem. Ando cansada de não ter muito espaço pra ser pateta como de costume, ainda que minha patetice me salve muitas vezes e me ajude a levantar quando o peso me derruba. Ser pateta me faz rir de mim mesma e me ajuda a recolher e remendar os pratinhos que caíram no chão. Dá pra carregar peso com leveza, né?
Estou exausta de doer só, mas sei que nesse momento não tenho como compartilhar muitas dessas coisas que sinto. Ao menos sei tenho companhia e isso faz toda a diferença.
Minha mãe me ligou pra me lembrar que tudo vai ficar bem mesmo quando não está tudo bem. Que estou muito perto de poder parar pra descansar e rever minha bagagem. Muito perto de poder caminhar só com uma pequena mochila. E que eu sou e nós somos mais fortes agora do que eramos no início do caminho.